As denúncias sobre o aumento do patrimônio de Antônio Palocci abrem discussão sobre as atividades empresariais relacionadas à experiência governamental e os limites éticos para a execução de tais atividades.
O grande patrimônio de uma empresa de consultoria é a informação. O negócio não é tão difícil de entender.
Uma empresa, pertencente a determinado político ou técnico que detém informações privilegiadas, cobra serviço de consultoria para orientar investimentos e “apresentar cenários favoráveis” aos seus clientes.
Quando o negócio está relacionado meramente ao conhecimento adquirido, com vistas às projeções futuras, ele é lícito.
Mas quando um “serviço de consultoria” recebe aspas e começa a trabalhar com informações presentes e, pior, desenhar cenários e políticas públicas ao sabor de interesses privados isso se torna algo muito pior do que corrupção. É crime contra o interesse nacional.
Por isso não vou aqui ficar falando dos apartamentos do Palocci, porque sinceramente, não sei se foram conquistados de forma lícita. Espero que sejam.
Mas quero falar um pouquinho – e não precisa muito – sobre a presença de Antônio Palocci na recente vida nacional.
Palocci colocou em risco o sucesso do governo Lula. Pior do que isso colocou em risco a retomada do desenvolvimento econômico no Brasil. Se o governo de Lula tivesse naufragado, seria muito difícil que novamente fosse eleito para a presidência um político que não fosse membro das elites econômicas. E mais, tal fracasso abriria as portas para um longo ciclo de governos neoliberais no Brasil, e por conseqüência inevitável, na América Latina.
Quando alguém ouve na rua aquela história de que o governo Lula deu certo porque manteve as bases da política econômica de FHC, a culpa é de Palocci. Na verdade, o governo Lula somente deslanchou depois da renúncia do modelo econômico de FHC, tal ruptura se deu depois da saída de Palocci.
Para quem ainda acha que os modelos são iguais, basta comparar o comportamento do governo Lula no pós crise de 2008, apoiando a produção e o consumo, com o comportamento de FHC na crise do final dos anos 90, elevando os juros, freando o consumo, boicotando a economia nacional e esperando em troca alguma migalha do FMI e dos especuladores.
É claro que o assunto é mais complexo e merece uma discussão extensa, mas no início do governo Lula foi necessário recuar e adquirir condições políticas para avanços posteriores. O governo Dilma não precisa retroceder.
Mas Palocci, que ganhou peso no governo justamente por essa relação promíscua com o “mercado”, o credenciando como uma espécie de diplomata para acalmar os “investidores”, agora esta pondo em risco o futuro do governo Dilma. Na Casa Civil, o neoliberal Palocci colocou os principais projetos de desenvolvimento do Brasil em baixo do braço e quer continuar sendo o “consultor do mercado” dentro do Palácio do Planalto.
O sucesso da empresa de Palocci é sua gigantesca eficiência para com seus clientes. E os clientes do ministro são os bancos e grandes corporações financeiras desinteressadas no desenvolvimento do Brasil para permanecerem sugando o sangue da nação.
Dilma deve aproveitar esse momento e se livrar do Corvo Palocci.
Tropa da Elite acusa a sociedade brasileira de invejar os mais ricos
Certas coisas no Brasil não mudam.
Depois da reação da sociedade contra a recusa da quanto à instalação do Metrô na Avenida Angélica por parte de alguns moradores de Higienópolis e a posterior aceitação do argumento por parte do Governo do Estado e do Metrô, alguns dos expoentes do conservadorismo torpe se mobilizaram e tentaram defender o indefensável.
Entre outras bobagens, o argumento comum desta tropa da elite era de que no Brasil os ricos são acusados de todas as mazelas da nação por conta da inveja dos mais pobres. Disseram que no Brasil existe uma cultura de detestar o sucesso alheio e que uma das chaves do nosso subdesenvolvimento é o fato de não admirarmos os mais ricos. Nos EUA, por exemplo, os ricos seriam cultuados pela sociedade e por isso os americanos têm tanto dinheiro.
Portanto, seriamos todos invejosos e ingratos por toda contribuição da elite para a formação cultural, econômica e social do Brasil.
Pois bem. Vamos refletir um pouco.
A formação patriarcal brasileira, nos moldes da “Casa-Grande e Senzala” de Gilberto Freyre, nos remonta à idéia do grande proprietário de terra com direito sobre as coisas e sobre as pessoas no seu território. Era considerado bondoso com seus agregados que podiam usufruir da sua terra e até com seus escravos por sua benevolência. Alguns de seus escravos podiam até mesmo adentrar à casa grande e o chefe até gostava da sua comida, da sua música e até do cheiro de suas escravas. Vez por outra mostrava seu gosto pela “sua gente” em seus intercursos sexuais com as escravas que inevitavelmente traziam ao mundo e à sua propriedade os mulatinhos, que embora jamais deixassem de ser também os bastardinhos, eram aceitos na casa grande e no futuro seriam indicados até mesmo para cargos públicos.
Aliás, os “recursos humanos” que não cabiam na empresa familiar agrícola e com o passar dos anos, empresa familiar industrial, eram absorvidos pelo Estado. Os filhos dos agregados e os amigos da família eram indicados para cargos e funções públicas importantes
Dessa forma, as coisas do Estado sempre foram confundidas com as coisas do patriarca, do fazendeiro, do industrial, do banqueiro, do dono do jornal. No Brasil, as instituições privadas, antecedem e são mais importantes que as públicas.
Jamais um agregado poderia afrontar os interesses do chefe em nome dos interesses públicos. Isso seria uma ingratidão depois de todo o bem que o chefe da casa-grande havia proporcionado aos seus afilhados. Os escravos tampouco podem reclamar do seu chefe benevolente que por tantas vezes foi compreensivo e lhes pouparam as chicotadas.
E os agregados continuam aí. Para eles enfrentar os interesses da elite em nome do bem-estar social é sinônimo de inveja e ingratidão.
O desejo de impedir que uma estação do Metrô aumente o fluxo de “gente diferenciada” que cause conseqüências indesejáveis não é uma reivindicação somente da elite, mas de seus agregados locais, também conhecidos como pequena burguesia.
Particularmente, acho o bairro de Higienópolis muito agradável e adoraria sim viver na região, até porque o trânsito nesta cidade tão carente de transporte público é insuportável e o bairro esta situado muito próximo ao centro. Não tenho nenhum desejo íntimo de me apropriar dos bens da burguesia. Pouco me interessa aderir ao modo de vida dos chiques e famosos.
Mas os interesses coletivos devem ser o centro das prioridades do Estado. Os trilhos do desenvolvimento, do bem-estar social e da justiça não podem desviar o seu trajeto por conta de uma gente estúpida que quer ser única beneficiária da riqueza nacional e sente absoluto horror à igualdade. Jamais aceitará compartilhar o espaço público com seus antigos escravos que agora estão em toda parte. Não querem ver seu bairro igual aos aeroportos, abarrotados pela gentalha.
Nos últimos anos, Gilberto Kassab estava sendo cortejado pela direita paulista.
Criou até um bonequinho chamado Kassabinho para suavizar a sua imagem fantasmagórica.
Alguns até achavam graça da sua postura de síndico afeito às políticas públicas proibitivas.
Kassab proibiu a publicidade, os ambulantes, os ônibus fretados, o pernil na porta do estádio, carro sem selo de inspeção da CCR, comemoração na paulista, o lanchinho no carnaval, a bebida na virada cultural e agora os artistas de receberem doações.
São poucas as proibições acompanhadas de políticas públicas alternativas e eficazez. Após a proibição dos fretados, o trânsito continua o mesmo (se não estiver pior) e muitas pessoas passaram a usar seus automóveis, já que o tranporte público regular é caro e de péssima qualidade.
Com o ideário de transformar São Paulo num condomínio fechado, Kassab tentava agradar a direitona paulistana.
Enquanto isso, as necessidades reais de uma das maiores cidades do mundo, com vocação para o desenvolvimento, mas cercada de injustiças por todos os lados, foi negligenciada.
A grande imprensa não rifava Kassab porque ele era parte integrante do projeto Serra Presidente.
Com o naufrágio da candidatura de Serra, Kassab foi obrigado a sair debaixo das asas tucanas. Ele tenta agora dividir o patrimônio político que seria herdado por Alckmin e Aécio.
Animado com a empreitada, Kassab, até então, estava realmente acreditando que seria o novo Jânio. Mas agora, depois de entrar em rota de colisão com o PSDB, vem sofrendo os primeiros ataques à sua gestão repleta de rabos de palha. Seu medo é deixar de ser o novo Jânio para se tornar o novo Pitta.
E isso não é impossível de ocorrer. Kassab investiu pesado para ser primeiro herdeiro de Serra. Pois bem, José Serra colecionou inimigos em nome de seu projeto de poder aos moldes de Berlusconi. Enquanto tinha chances de ser presidente, Serra era interessante para alguns setores. Agora, rei morto é rei posto.
Kassab herda sim os inúmeros inimigos de Serra. E os maiores inimigos de Serra estão justamente no PSDB de onde virão ataques e bicadas das mais ferozes.
O prefeito quer se aproximar de Lula e espera contar com o acolhimento do PT. Para tanto vai tentar migrar da direita para o centro.
Kassab sofrerá ataque de todos os lados. E agora perdeu a seu escudo anti imprensa.
O prefeito só tem uma chance para o seu PSD vingar. E me cobrem no futuro se eu estiver equivocado. Kassab tem que fazer seu sucessor. Caso contrário estará aniquilado e deverá agradecer à vida se conseguir voltar a ser Deputado Federal.
Por isso, Kassab apostará todas as suas fichas na próxima eleição.
Não vou dizer que o humorista (?) Rafinha Bastos fez piadas de mau gosto porque, sinceramente, jamais achei graça em nenhuma de suas pseudo- anedotas. Ou seja, não conheço as de bom gosto.
Aliás, cada vez que eu vejo as apresentações dessa geração stand up mais eu gosto do Costinha.
O humorista (?) zombou dos órfãos no dia das mães via twitter. Outro dia desses disse que as mulheres que reclamam de estupro são todas feias.
Quem me conhece sabe que eu não sou do tipo politicamente correto, mas vou aproveitar essa oportunidade para falar algumas coisas sobre o CQC. Aquele programa que recentemente ofereceu um palanque eletrônico para o Deputado Jair Bolsonaro fidelizar ainda mais o seu eleitorado tão afeito às declarações torpes do parlamentar. Tem gosto pra tudo. Aliás, o Rafinha Bastos tem mais de dois milhões de seguidores.
Existe um consenso estabelecido há tempos de que o brasileiro é um povo conformado e acomodado. Seria este um dos problemas do nosso “atraso”.
Mas nos transformarmos em um povo meramente reativo não é garantia nenhuma de sucesso e desenvolvimento para a nossa sociedade.
Um humorista (?) vestido de terno, gravata e óculos escuros em uma repartição pública, destilando arrogância e constrangendo um servidor, não é certamente um exemplo de maturidade institucional.
Este tipo de atitude não ajuda em nada o desenvolvimento e aprimoramento das nossas instituições. Ao contrário, reforçam a idéia de que a autoridade individual se sobrepõe à igualdade desejada nas relações entre os indivíduos e a sociedade.
Quando um humorista (?) constrange um funcionário público ou um político obrigando que ele responda a sua pergunta, segundo seus próprios métodos, utilizando recursos de edição e fazendo valer sua autoridade de formador de opinião, está lançando mão do bom e velho “SABE COM QUEM VOCÊ ESTÁ FALANDO?”. É uma carteirada!
Da mesma forma, não é desejável para nossa sociedade que os indivíduos, ainda que justificadamente descontentes, entrem num hospital público e agridam os servidores e a equipe médica porque o serviço não é satisfatório. Até porque isso não resolve em nada o problema.
O que aparentemente seria o outro lado do conformismo brasileiro, na verdade é o outro lado do nosso subdesenvolvimento.
Construir instituições sólidas e democráticas em que os indivíduos saibam como se relacionar servindo-se de seus direitos e cumprindo seus deveres parece ser um caminho dos mais difíceis, no entanto é a única garantia de vivermos em uma sociedade equilibrada e mais justa.
Alguém vai dizer que a função do humor é justamente ser anárquico.
Pois eu digo que esse CQC não tem nada de anárquico. Ao contrário, sua função é a de reproduzir a ideologia do patrão que deseja justamente a manutenção do status quo.
Lembrem-se sempre que o bobo da corte não serve ao riso. Ele serve ao rei.
Estava deitado na poltrona. Minhas pernas ainda não eram grandes de forma que eu consegui deitar horizontalmente com a cabeça apoiada num braço da poltrona e meus pés em outro. Minha mãe acordou-me com um sorriso brilhante que me fazia entender, ainda que tivesse apenas quatro anos, a sua imensa felicidade. Não havia dúvidas que era um sorriso de profunda satisfação.
Dei-me conta que estava com uma roupa diferente. Um short vermelho acompanhado de uma camisa branca. Era o meu primeiro dia na escola. Agora sim me lembrava. Minha mãe me despertou absurdamente cedo, me vestiu e me serviu uma mamadeira na poltrona onde me deitei. Mamei durante muito tempo. Minha mãe me protegeu durante muito tempo.
Não sei por que essa é a minha lembrança mais remota. Na verdade, não me lembro de mais nada daquele dia. Sequer me lembro da primeira professora. O que ficou na minha mente para sempre foi o sorriso da mamãe. Sem dúvidas era aquele um momento solene.
Disse que acordei absurdamente cedo porque desse dia em diante sempre tive que acordar cedo, com raras exceções. Essa é nossa vida.
E lá fui eu. Rumo à escola. Rumo ao trabalho. Rumo á vida longe da saia da mamãe. Nada pode ser mais confortável do que os cuidados da nossa mãe. De resto tudo parece ser uma agressão. Inclusive os momentos que hoje entendemos como felizes. O Simples fato de nos arriscarmos em busca da felicidade é estupidamente desconfortável. Descobrimos outras formas de satisfação, mas nada se compara a plenitude do amor materno. Mas temos que seguir em diante e encarar o mundo.
Acho que as mães devem se sentir traídas pelo abandono dos filhos. Na verdade não é um abandono, mas unilateralmente decidimos não mais aceitar os beijos públicos e os mimos dengosos. Mas a vida é tão difícil que de alguma forma nos endurecemos para criar cascos capazes de nos proteger de um mundo que seria incapaz de proporcionar o mesmo bem-estar do colinho de mãe.
Mamãe, difícil encontrar um presente para você tão acostumada a se doar que chega a estranhar quando recebe algo.
Então eu posso dizer a você que sou um homem feliz. Faz tempo que eu preciso te dizer isso. Eu sou uma pessoa feliz. Fiz um montão de coisas bacanas, tenho bons amigos, trabalho com o que gosto e aprendi a estabelecer um modo de vida que me agrada. Descobri uma porção de coisas que me dão prazer e consigo passar a maior parte do tempo alegre e satisfeito.
E tudo o que consegui na vida foi graças à segurança proporcionada pelo seu amor. Enfrentei o medo das entrevistas de trabalho, das reuniões, das provas, das mulheres as quais me declarei e o medo da rejeição ao falar em público. Todos estes medos foram superados por causa do seu amor. Ele sempre me pareceu tão grande que me deu o conforto necessário para cada empreitada.
Hoje eu também tenho uma filha e meu maior desejo é que ela seja feliz e sinta o quanto a amo. Portanto, mamãe, saiba que eu sou feliz e que sinto de verdade o seu amor. Ele é meu maior patrimônio.
Ainda preciso muito de você. Mesmo longe consigo ouvir seus conselhos porque eles estão dentro da minha mente. Fazem parte do que eu sou. E para sempre serei o filho da Dona Irene.
Eu vos chamo de amigos porque em verdade tenho consideração por vocês.
Vocês são torcedores honestos e verdadeiros. Expõem sua paixão sem se preocupar com os riscos dela parecer ridícula. Aliás, aos olhos dos outros todas as paixões parecem ridículas.
Torcer hoje em dia para o Palmeiras é uma coisa meio retrô.
A molecadinha mais nova em geral não torce pelo Palmeiras. E não acredito que seja somente por causa de conquistas ou derrotas nos últimos campeonatos.
A identidade palestrina talvez não esteja edificada sob os valores do nosso tempo.
Embora não seja um cara velho - tenho 35 anos - quando eu era moleque, a criançada torcia para dois times: Corinthians ou Palmeiras. Alguns eram são-paulinos e naquela época nos pareciam simpáticos. Corinthianos torciam para o São Paulo quando este jogava contra o Palmeiras e o inverso também era verdadeiro, Palmeirenses torciam para o São Paulo para ver os Corinthianos perderem.
O São Paulo tinha a imagem de um time simpático. Os torcedores não entravam nos conflitos grosseiros entre Corinthianos e Palmeirenses. As moças que passavam a gostar de futebol, rapidamente escolhiam o São Paulo. Talvez por isso, ao longo do tempo, foram brotando as brincadeiras maldosas contra o Tricolor. Mas o clube foi aumentando sua torcida e atraindo os novos torcedores de futebol. Atendeu o gosto de muita gente e se tornou a terceira maior torcida do Brasil em menos de duas décadas. Aí sim os títulos foram importantes.
O palmeirense sempre foi da mesma "gente" dos corinthianos. Os dois times cresceram como time das classes operárias. Basta lembrar que os italianos eram tratados como gentalha no começo do século passado. Italianos viviam ao lado dos negros, eram subjugados na estrutura da sociedade paulistana.
Digamos que o Corinthians incorporou toda a maloquierada sem preconceito algum. Logo atendeu a todo tipo de gente e com os grandes fluxos migratórios tornou-se uma nação de refugiados que enfim encontraram sua pátria alvinegra.
Mas o Palmeiras originalmente foi um clube dos brancos pobres.
Hoje a sociedade mudou. Acho que de todas as torcidas o Palmeiras é que tem o público na média com mais grana. Não sei. Posso estar falando besteira.
O São Paulo passou a atender o gosto das classes mais pobres.
Talvez o Palmeiras não tenha dado grandes saltos porque se mantém como uma comunidade homogênea. Sim, o Palmeiras tem uma torcida densa e homogênea. E isso também é bacana.
Mas meus amigos acreditem, vocês são muito chatos e encrenqueiros. Ô RAÇA! Brigam até entre vocês. Tem que dar um jeito nessa bagunça.
Só decidi escrever essa carta porque metade da semana vocês passaram culpando o Corinthians (ou o juiz) pela desgraça no Paulistão e eu acho que isso acaba por esconder alguns problemas sérios de vocês. Se reclamar do juiz fizesse algum time ganhar alguma coisa a Portuguesa já seria campeã do mundo, o Atlético deixaria de ser mineiro e iria para Europa ser campeão da Copa dos Campeões e o Botafogo deixaria de ser o time dos maníacos depressivos.
Sei que vocês nos odeiam. Acho que serei muito xingado por esse post. Mas acredite que minha intenção é boa.
Não que eu queira criar aqui nenhuma nova teoria de conspiração.
Embora eu acredite que ele tenha sido baleado, fotografado, talvez tenha sido até mesmo decepado e jogado aos tubarões. Ainda assim, eu vos digo que Bin Laden morreu.
Bin Laden, assim como Saddam Hussein, foi cobra criada pelos norte-americanos. Saddam na guerra entre Irã x Iraque. E Bin Laden na guerra do Afeganistão contra a União Soviética.
Agora, os Estados Unidos, França e outros países interessados em se apropriar do petróleo libio, estão dando de mamar (com armas e dinheiro) para os bezerros terroristas que ainda são chamados de rebeldes anti Kadafi, mas que logo estarão ricos e armados. Prontos para estruturarem as suas próprias redes terroristas. Enquanto estes estiverem a serviço dos Estados Unidos serão rebeldes. Tão logo assumam suas posições políticas serão considerados terroristas.
O terrorismo é uma prática detestável. Os grupos que se valem desta ferramenta não mobilizam as massas e tampouco estão aptos a aprender com ela. Muitos utilizam a doutrina religiosa para objetivos políticos privados.
Mas dentro deste grande balaio chamado terrorismo cabe um monte de coisas.
Nelson Mandela que hoje ganha aura de líder pacifista, quando lutava contra o regime de apartheid era considerado terrorista. Mandela nunca foi pacifista, tampouco terrorista. Foi muito mais e melhor do que isso. Foi um líder que organizou seu povo contra a opressão e a injustiça.
Estou falando de Mandela, mas poderia falar de muitos outros líderes que foram tratados como terroristas porque lutavam contra a opressão das elites.
Mas é bom que se diga, Bin Laden era sim um terrorista. E da pior espécie, porque defendia a supremacia de uma aristocracia religiosa sobre o conjunto da sociedade. Era um elitista.
Com o advento das armas nucleares e a supremacia esmagadora de uma ou duas potências militares, a prática terrorista ganhou força. Agora, com estes atores não estatais, grupos militares que conseguem financiamento para suas práticas de guerra e que buscam desorganizar o discurso e a superioridade hegemônica.
Os Estados Unidos não mataram o Bin Laden, ao contrário, deram todo o reconhecimento que ele objetivou. E milhares de “binladenzinhos” nasceram ontem sonhando com um destino semelhante.
E os Estados Unidos continuam financiando seus futuros inimigos. Seja no Iraque, no Egito, na Líbia ou na Síria com o financiamento de grupos rebeldes. Vale de tudo na guerra por petróleo. Os interesses corporativos são mais importantes do que as vidas humanas.
A presença dos EUA no Oriente Médio continua sendo desastrosa. Muitas pessoas perderam suas casas, suas famílias, seus territórios e sua liberdade. As pessoas continuarão lutando. Alguns com desejo de justiça, mas outras com desejo de vingança. Violência gera violência, esta é a regra.
Hoje a zona norte estava travada por conta da Formula Indy em circuito de rua.
Até aí tudo bem, não vou entrar nessa demagogia de dizer que os recursos públicos não devem ser utilizados em eventos esportivos internacionais.
Estes investimentos se justificam a partir do fomento da economia local e com ganho institucional para o município.
Se bem que quando o assunto é Copa do Mundo e Olimpíada, a turma do prefeito, quer dizer, não sei mais se é a mesma turma porque esse pessoal anda meio dividido ultimamente, mas essa gente joga um enorme mau agouro, dizendo que o Brasil não deveria investir dinheiro público nesses eventos.
Dois pesos e duas medidas não são?
Mas o fato é que depois de fugir do enorme congestionamento, fazendo força para não perder o bom humor, alcancei a Ponte da Casa Verde.
Para minha surpresa havia um enorme tapume sobre a ponte. O objetivo é impedir que as pessoas vejam a prova sem pagar, ainda que a ponte esteja a mais de 1 km do ponto mais distante do circuito.
Lamentável.
Tudo bem que os ingressos sejam vendidos e que haja retorno comercial. Mas daí a levantar um muro para que as pessoas sequer possam ver o que se passa no espaço que deveria ser público já é demais.
Alguns vão dizer que o acúmulo de pessoas sobre a ponte poderia interromper o tráfico de veículos.
Ora, mas o circuito já não impede o tráfico de uma grande região da cidade?
Esse é o nosso Apartheid.
Poderiam avisar os pais sem grana, logo excluídos, para não levarem seus filhos até a Zona Norte no domingo.
Vai que um menino que se encanta com os carros de corrida peça para o papai levá-lo para ver ainda que de longe os carrinhos passando. É possível que eles acabem por ser expulsos do local. O constrangimento seria inevitável. Para a criança e para o pai.
Detalhe, domingo é 1° de Maio, Dia do Trabalhador.
Sinto pena das próximas gerações que não mais verão no estádio de futebol os clássicos com a presença de duas torcidas rivais, pelo menos em São Paulo.
Era muito bacana ir ao Morumbi e assistir aos jogos com a presença de duas grandes torcidas.
O torcedor era realmente inserido dentro da disputa. Sim, porque parte importante do jogo era ficar frente a frente com o oponente. O espetáculo era, sem dúvidas, muito mais humano.
Nas vitórias era possível se dar conta da própria euforia e satisfação ao ver o outro lado do estádio em completa desolação. Da mesma forma, a felicidade alheia mostrava como era decepcionante conviver com a derrota.
Era uma representação da vida. A gente só existe de verdade em comparação e oposição ao outro.
Existia uma teia de solidariedade e até cumplicidade.
O fim da presença de duas torcidas aos jogos de futebol já era defendido por aqueles que achavam que o espetáculo gerava violência.
Tudo balela. A violência não acabou, ao contrário, ela se espalhou por toda cidade com ponto de encontro de torcedores. Não é o futebol em si que gera tal violência, existem inúmeros outros aspectos da vida social que podem nos dar pistas dos estímulos que levam indivíduos a se digladiarem. Acontece no futebol, mas também acontece na política, nas escolas, nos bailes, nos bairros e até nas religiões.
O futebol, na verdade, tem um aspecto pedagógico que pode ajudar o indivíduo a lidar com a euforia e até com as inevitáveis frustrações.
O que mais incomoda é que não foi o interesse público pela paz social que acabou com os jogos de duas torcidas. Foram os interesses corporativos.
O gosto popular fez com que o futebol virasse um grande negócio com grandes anunciantes.
Os estádios deixaram de ser a arena das massas, palco da grandiosidade pública e se transformaram em um imenso cenário para a televisão.
Os clubes passaram a reivindicar sua participação na propriedade sobre o show. Mas fazem isso de maneira equivocada, preocupados mais com a ostentação do que com a eficiência.
Proibir a torcida adversária de assistir ao jogo na “sua casa” é uma atitude cretina, desnecessária e atrasada. Vai contra a essência do esporte e impede que a gente possa evoluir para uma sociedade com maior espírito público.
Pelo visto os tempos mudaram. O “pão e circo” parece agora serem insuficientes. O pão precisa ao menos vir com gergelim e o circo foi entregue aos leões.
Que os ingleses não se importem em ver seus impostos virarem Don Perrion e caviar bem no auge da crise européia até que vai.
Mas fica meio estranho alguns brasileiros se oferecerem como súditos e se curvarem diante de um episódio dantesco.
Deve ser o tal enigma da servidão voluntária.
Se fosse aqui no Brasil, o casamento do príncipe seria na Marquês de Sapucaí.
Hoje tem Globo Reporter e especial da Globo News para homenagear os pombinhos.
E eles vão casar em plena sexta-feira santa? E como é que o principe vai fazer com esse lance de não poder comer a carne? Será que espera até o sábado de aleluia pra poder malhar?
Acho que protestante não deve ter essas coisas. O Weber disse que enquanto o católico se preocupa em dormir bem o protestante se preocupa em comer bem.